Novo exame do SUS reforça importância do diagnóstico precoce do câncer

 

Cinco exames aliados na prevenção. Especialista explica quais possuem eficácia comprovada para rastreamento de diferentes tipos de câncer e por que realizá-los no momento certo pode aumentar significativamente as chances de cura.

O anúncio da incorporação do Teste Imunoquímico Fecal (FIT) ao protocolo nacional de rastreamento do câncer colorretal pelo Sistema Único de Saúde (SUS) representa um importante avanço para a prevenção da doença no Brasil. Indicado para homens e mulheres assintomáticos entre 50 e 75 anos, o exame amplia o acesso ao diagnóstico precoce de um dos tipos de câncer mais frequentes no país, o de intestino, e reforça uma mensagem importante: identificar um tumor antes do surgimento dos sintomas pode fazer toda a diferença no tratamento.

Segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), a estimativa é de cerca de 53,8 mil novos casos de câncer colorretal por ano no Brasil entre 2026 e 2028. Quando descoberto precocemente, porém, as chances de sucesso no tratamento aumentam de forma significativa.

Para o cirurgião oncológico do Centro de Oncologia do Paraná (COP), Antonio Brunetto, o diagnóstico precoce é uma das principais ferramentas para reduzir a mortalidade pela doença. “Hoje sabemos que muitos tipos de câncer podem ser identificados antes mesmo do aparecimento dos primeiros sintomas. Isso permite tratamentos menos agressivos, maiores chances de cura e melhor qualidade de vida para o paciente. O mais importante é entender que cada tipo de câncer possui exames específicos de rastreamento e que eles devem ser realizados conforme a idade, os fatores de risco e a orientação médica.”

Além do FIT, outros exames desempenham papel fundamental na prevenção e no diagnóstico precoce de diferentes tipos de câncer.

1. Teste Imunoquímico Fecal (FIT)

A principal novidade anunciada pelo Ministério da Saúde, o FIT detecta pequenas quantidades de sangue oculto nas fezes, invisíveis a olho nu, que podem indicar pólipos ou lesões iniciais no intestino. O exame é simples, não exige preparo intestinal nem restrições alimentares e pode ser realizado em casa. Quando o resultado apresenta alterações, o paciente é encaminhado para colonoscopia.

2. Colonoscopia

Considerada o padrão-ouro para avaliação do intestino grosso, a colonoscopia vai além do diagnóstico. Durante o procedimento, é possível visualizar diretamente o cólon e o reto, identificar alterações e remover pólipos que, futuramente, poderiam evoluir para um câncer.

3. Mamografia

Principal exame de rastreamento do câncer de mama, a mamografia consegue identificar alterações muito pequenas, muitas vezes antes mesmo que sejam percebidas pela paciente ou durante o exame clínico.

4. Papanicolau e teste de HPV

O câncer do colo do útero é um dos que mais podem ser prevenidos graças ao rastreamento. O exame citopatológico, conhecido como Papanicolau, aliado ao teste para HPV quando indicado, permite identificar alterações celulares antes que elas evoluam para um tumor.

5. Tomografia computadorizada de baixa dose

Ainda pouco conhecida pela população, a tomografia computadorizada de baixa dose é indicada para pessoas com alto risco de desenvolver câncer de pulmão, especialmente fumantes ou ex-fumantes com histórico importante de tabagismo. O exame consegue identificar nódulos muito pequenos e possibilita o tratamento em fases iniciais, quando as chances de cura são maiores.

Embora esses exames sejam importantes aliados na prevenção, o especialista reforça que não existe um único teste capaz de identificar todos os tipos de câncer. “É comum as pessoas acreditarem que um check-up anual ou um exame de sangue conseguem descartar qualquer tipo de câncer, mas isso não acontece. O rastreamento precisa ser individualizado e considerar idade, histórico familiar, hábitos de vida e outros fatores de risco. Mais importante do que fazer muitos exames é realizar aqueles que realmente são indicados para cada paciente.”

Quando conversar com seu médico sobre rastreamento?

  • A partir dos 50 anos (ou antes, em alguns casos);
  • Se há histórico de câncer na família;
  • Em caso de tabagismo ou exposição a fatores de risco;
  • Quando houver doenças hereditárias associadas ao câncer;
  • Para manter os exames preventivos recomendados para sua idade e sexo.

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