Outubro Rosa: vacina também previne câncer e proteção pode começar ainda na infância
Quando se fala em Outubro Rosa e prevenção do câncer feminino, mamografia, consultas e exames de rotina costumam ser as primeiras medidas lembradas. Mas uma estratégia de prevenção pode começar muitos anos antes da idade dos principais rastreamentos: a vacinação contra o HPV.
O Brasil deve registrar 19.310 novos casos de câncer do colo do útero por ano entre 2026 e 2028, segundo a nova estimativa do Instituto Nacional de Câncer (INCA). Excluindo os tumores de pele não melanoma, a doença é o terceiro tipo de câncer mais incidente entre as mulheres brasileiras.
A enfermeira especialista em vacinação da Clínica Vacinne, Elisa Lino, explica que a imunização contra o HPV tem uma característica importante quando o assunto é prevenção. “Temos uma vacina capaz de prevenir infecções relacionadas ao desenvolvimento de diferentes tipos de câncer. Por isso, quando falamos sobre prevenção e saúde da mulher durante o Outubro Rosa, também é uma oportunidade para lembrar que esse cuidado pode começar ainda na infância e acompanhar diferentes fases da vida”, afirma.
O HPV é um vírus extremamente comum e transmitido principalmente pelo contato sexual. Na maioria das pessoas, a infecção desaparece espontaneamente, mas a persistência de determinados tipos de HPV está relacionada ao desenvolvimento do câncer do colo do útero e também de outros tumores.
Por que vacinar tão cedo?
No Calendário Nacional de Vacinação, a vacina contra o HPV é indicada rotineiramente, em dose única, para meninas e meninos dos 9 aos 14 anos. A estratégia busca garantir a proteção antes de uma possível exposição ao vírus. “Alguns pais estranham a indicação da vacina contra o HPV para crianças e adolescentes porque associam o vírus exclusivamente à vida sexual. Mas justamente por ser uma vacina preventiva, o melhor momento para proteger é antes do contato com o HPV”, explica Elisa.
Em 2026, o Ministério da Saúde prorrogou até 31 de dezembro a estratégia de resgate para adolescentes e jovens de 15 a 19 anos que não receberam a vacina na idade recomendada ou não possuem registro da imunização.
E quem já é adulto ainda pode se vacinar?
A vacinação contra o HPV não se restringe à infância. Na rede privada, adultos não vacinados anteriormente também podem ter indicação da vacina, de acordo com idade, histórico vacinal e avaliação individual. “Ter iniciado a vida sexual não significa que a vacinação deixou de ter utilidade. Uma pessoa pode ter tido contato com um tipo de HPV e continuar suscetível a outros contemplados pela vacina. Por isso, o histórico deve ser avaliado individualmente”, afirma Elisa.
A especialista ressalta ainda que a vacinação não substitui o acompanhamento ginecológico nem o rastreamento do câncer do colo do útero. As estratégias são complementares. “O Outubro Rosa colocou a prevenção do câncer feminino no centro das conversas sobre saúde. É uma oportunidade para ampliar esse olhar: além de diagnosticar precocemente, temos ferramentas para evitar que alguns tipos de câncer se desenvolvam. E a vacinação contra o HPV é uma delas”, conclui Elisa.
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